Produções

2013

Muitos trabalhos (MENDONÇA, 2011) mostram a relevância de desenvolver um contexto em que argumentação seja inserida em salas de aula de ciências, visto que ela pode contribuir para a formação do cidadão ao desenvolver seu pensamento crítico e reflexivo e na construção do conhecimento devido a auto-regulação da aprendizagem. Para que esse contexto seja criado é importante que os professores dominem as capacidades inerentes ao ato de argumentar e promovam essas situações em sala de aula (CORREA, 2011). Correa (2011) analisou as capacidades argumentativas (elaborar argumento, teoria alternativa, refutação e contra-argumento) de 14 professores recém-formados (PRF) em Química pela UFMG. Ele utilizou como instrumento de coleta de dados uma entrevista semiestruturada baseada em um problema científico que abrangeu cada uma das capacidades argumentativas. Esse problema consistiu em um experimento no qual uma vela era fixada em um recipiente com água e, após deixa-la queimar por um tempo, embocava-se sobre a mesma um balão volumétrico. Pesquisamos as mesmas capacidades argumentativas a partir do problema científico reformulado e com professores em formação inicial (PFI) de um curso de Licenciatura em Química da UFOP. Tal pesquisa faz parte de um projeto mais amplo que objetiva avaliar as influências da formação nas capacidades. Nesse trabalho o foco é discutir os nossos resultados com os obtidos por Correa (2011) buscando implicações para a formação docente.

Os temas ligações químicas e interações intermoleculares foram ensinados a estudantes do ensino médio através de ensino fundamentado em modelagem. Foram realizadas entrevistas envolvendo um problema científico e um cotidiano antes e após o ensino por modelagem para avaliar a argumentação dos estudantes. Os protocolos de entrevista foram baseados no trabalho de Kuhn. O instrumento de análise dos argumentos se baseou nos 60 esquemas argumentativos propostos por Walton e colaboradores. Os 118 argumentos expressos pelos estudantes foram classificados em 27 esquemas argumentativos. Concluímos que os argumentos se relacionavam diretamente ao contexto no qual eles foram formulados e que as atividades de modelagem influenciaram na argumentação científica dos estudantes. Defendemos a viabilidade do uso dos esquemas argumentativos de Walton para analisar argumentos em relação tanto à ênfase atribuída por Kuhn às evidências genuínas quanto à distinção dos componentes do argumento segundo o padrão de Toulmin. Sugerimos utilizar os esquemas argumentativos de Walton para analisar a atuação de professores em sala de aula a partir da classificação dos tipos predominantes de argumentos utilizados por eles.

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